Marcelo Bizar
Se aquele isto é como este, hei de ser histo ou comum peste
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
ÁudiosÁudios
E-booksE-books
FotosFotos
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
PrêmiosPrêmios
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
LinksLinks
Textos


Quem mexeu no meu torresmo?

     Devo ter acordado de mau humor hoje. Não estou suportando assistir ao programa que está passando na televisão. De repente me dei conta de que o quadro a que agora assisto trata de um assunto atualmente onipresente na nossa televisão: "comidas saudáveis".
     Parece que não há outro assunto em voga. A programação televisiva se encontra congestionada com tantos programas falando de comida, lanches, culinária e coisas afins. E quanse sempre pelo viés do "saudável". Sei não!
Quase tudo é saudável, de carnes mal cozidas a queijos feito de leite de soja.     
     É tanta coisa que precisamos comer para nos mantermos saudáveis até os cem anos de idade que acho que se chegar lá não terei comido todas essas comidas saudáveis que me fariam chegar aos cem anos.
     É dieta vegana, é dieta vegetariana, lacto-alguma-coisa, mediterrânea, chinesa, japonesa, acho que só falta mesmo uma dieta com base em produtos alienígenas.
     E são tantos programas de "chef"! Nunca assisti e não gostei de nenhum desses programas "chef" da televisão.
     Numa roda de amigos, quando alguém começa citando esses famosos "chefs" de algum programa de televisão me sinto como aquele aluno que foi o único a não fazer a pesquisa que o professor mandou. E me parece que agora todo mundo entende de gastronomia.
     Tenho amigos que não sabem escalar seu time de futebol do coração mas conhecem os nomes da melhor escalação de cervejas belgas e dos queijos italianos perfeitos na harmonização das maravilhosas cervas. E se eu disser que tudo isso não passa de frescura sou capaz de ser linchado ou não ser convidado para o próximo encontro de degustação às cegas de saladas verdes... ainda bem!
     É claro que muitos espertinhos não perderam tempo e aproveitaram essa moda para reciclarem antigos conceitos culinários, gastronômicos e até mesmo dos melhores acepipes. Mas não se enganem, o lucro é que anda bem temperado.
     O novo conceito é bem simples: quase tudo pode ser combinado com quase tudo e aí teremos um prato novo. A criatividade não deve ser limitada. E, a cereja do bolo desse novo conceito gastronômico é o nome do prato.
     Este item pode ser bem criativo ou bastará apenas acrescentarmos um adjetivo para inventarmos um novo prato. Mais ou menos assim: "iscas de fígado Pitagórico" (que não mais são do que iscas de fígado servida no formato de um triângulo reto, para lembrarmos do Teorema de Pitágoras), "camarão ao molho picante de aspargos e molho de maracujá com bastões de abóbora em suspensão como ocas tupinambás" (que nada mais é do que o nome já diz, camarão apimentado com molho de maracujá e sobre o prato uma oca tupinambá formada com os tais talos de abóbora).
     De minha parte, sem nenhuma intenção obscura, não consegui entrar nessa moda. E quando bebo minha cachaça mineira peço mesmo é um torresminho pra acompanhar. Só espero que deixem meu torresmo em paz e não inventem nada gourmet para o delicioso tira-gosto, pois certamente o preço vai ficar salgado, bem mais salgado.

Marcelo Bizar
marcelobizar.com
 
Marcelo Bizar
Enviado por Marcelo Bizar em 22/08/2018
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários